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dislexia

by armando costa (2018-03-06)


COMO É TER DISLEXIA SENDO ADULTO?

 

A dislexia é uma Dificuldade Específica de Aprendizagem, de origem neurobiológico. É caracterizada por problemas com o reconhecimento de palavras em forma precisa ou fluida, soletrar mal e pouca capacidade ortográfica.

Estas dificuldades resultam de um déficit no componente fonológico da linguagem. As pessoas disléxicas têm uma inteligência normal ou superior) (não está em causa a inteligência nem as habilidades cognitivas).

Assim como outros tipos de dificuldades de aprendizagem e de atenção, a dislexia é uma condição para a vida. É dizer, as crianças não superam a dislexia quando crescem.

 

A maioria dos adultos disléxicos aprenderam estratégias de compensação para lidar com as dificuldades que gera a dislexia, e muitas vezes os outros, nem sequer percebem o grande esforço que realizam.

 

A dislexia não é nada mais que uma dificuldade. Apesar dos problemas encontrados na escola, muitos disléxicos reconhecem que a dislexia ajudou a ter sucesso na vida, graças ao desenvolvimento de habilidades diferentes dos não-disléxicos.

 

Vamos conhecer testemunhos de pessoas adultas que vivem com a dislexia, mas isso não os impediu de lutar pelos seus sonhos e atingir os seus propósitos.

 

DIFICULDADES NA VIDA ADULTA

 

A dia de hoje a dislexia acompanha diariamente a Mònica Gilabert, mestre em educação especial, que, em sua profissão, ele enfrenta muitas dificuldades. Além disso, lida com a gestão do tempo, a ordem e os despistes.

Dislexia tem cura

Luz Rello, fundador da Change Dislexia, linguista e doutora em ciência da computação, reconhece que a dislexia segue acompanhando a vida, mas avisa que talvez não tenha que ser assim para todo o mundo, graças a um diagnóstico e tratamento precoce.

 Cada vez que tem que preparar uma documentação, a revê várias vezes com diferentes revisores, e apesar disso, sempre há erros que os corretores não detectados, como por exemplo, a diferença entre "than" e "that" ou entre "making" ou "marketing".

Quando tiver que ler um artigo sobre um tema desconhecido ou um contrato legal, investe muito mais tempo do que um não-disléxicos.

No aeroporto, quando tem que dar o número de passageiro frequente, muitas vezes, é confundida com os números ou os diz do avesso, sob o olhar perplexo da pessoa atendendo no balcão.

 

Para Miguel Cortés, terapeuta e ativista em neurótico no norte do México, existem coisas ordinárias que são muito complicadas, como o preenchimento de formulários.

Sua letra manuscrita não é clara e, além disso, sempre comete erros anotando dados muito conhecidos como o seu endereço ou telefone.

"Eu tenho sempre uma grande luta com me manter organizado, talvez isso está mais relacionado com as minhas dificuldades de atenção, sei que a proporção de jovens de dislexia e déficit de atenção é comum." –afirma Miguel.

Além disso, o trabalho de Miguel exige redigir projetos. "É doloroso, lento, geralmente tenho que fazer muita pesquisa antes de se sentir seguro de começar a escrever. Uma vez que terminou, eu faço um bom trabalho, mas é muito cansativo e estressante.".

 

Maria José Zarazaga, auxiliar administrativo e mãe de um filho disléxicos, evita escrever quando há pessoas. Fica muito nervosa por se tiver alguma falta e passa muita vergonha.

 

Uma grande frustração que lhe durou por toda a vida de Antonio Palácios, doutor em Ciências Biológicas e professor associado da Universidade de la Rioja, tem sido a dificuldade de associar os sons com as letras e as letras com os sons.

"Eu amo música, eu tenho um ouvido privilegiado e espetacular e sei diferenciar o bem do mal em poucos segundos de iniciada a partitura da música, mas nunca fui capaz de cantar ou tocar um instrumento, de forma medianamente aceitável. Impossível, nem mesmo um tambor, o que me marcou por toda a vida".

 

Maria Escandon, pedagoga e especialista em idade pré-escolar, também destaca a sua necessidade de ser extra cuidado quando trabalha com números e reconhece que muitas tarefas levam mais tempo do que o normal pela sua tendência para ser distraída. No entanto, o seu dia-a-dia não se vê afetada.

 

ESTRATÉGIAS DE COMPENSAÇÃO

 

Para Luz Rello o mais importante é manter a calma e aceitar que tem dislexia. Quando está estressado é mais difícil de ler.

 

O fundamental para Miguel Cortés foi se tornar um autodidata. "Na escola eu comecei a interessar-se da astronomia, e meus pais incentivaram esse interesse. Aprende-se melhor com lia por minha conta, sobretudo, com foco na compreensão e não tanto na memorização. Fui aprendendo a encontrar o lado interessante a quase qualquer matéria.

Para o ensino médio, já era um nerd consumado. "Miguel aprendeu que através do aprendizado profundo conceitual é onde mostra o que aprende. Isso implica ler mais, encontrar vídeos, fazer mapas mentais e a fazer perguntas.

 Recentemente, o uso de texto em fala como tecnologia assistida foi um grande passo para Miguel. Uma de suas maiores frustrações foi não terminar de ler livros, e ao editar um texto escrito, não importa o quanto irá checar sempre se lhe escapavam erros evidentes para um não-disléxicos. Hoje Miguel lê com regularidade, e os problemas são muito menores.

 

Antônio Palácios compensou a dislexia com esforço pessoal. Recomenda ter ajuda em casa, se não é de um familiar, de pelo menos um professor de reforço.

 A ajuda de sua irmã, foi muito importante para ele. "Pouco a pouco você vai criando os seus truques".

As regras onomatopeicas que tem vindo a cumprir o tiram do problema, uma e outra vez. Por exemplo: "teve do verbo ter, sem longa e tubo de tubo muito longo com be muito longa". Quando se bloqueia diz que é disléxicos, então todos relaxam.

"Aprender a se vangloriar de que a dislexia é uma arte, a pessoas a partir desse momento, está mais atento e aproveite muito mais o que lhes conto, valorizam muito mais".

 

Quando não sabe como se escreve alguma palavra, Maria José Zarazaga muda a frase ou não o diz de outra maneira.

 

Mònica Gilabert há muitas listas, use a agenda, tem um calendário muito visível, onde anota as coisas importantes e conta com a ajuda e compreensão de seu marido e de seus filhos.

 

Maria Escandón compartilha estratégias de compensação que foi desenvolvido:

Saiba mais sobre o que e dislexia

Eu sempre que tenho que escrever palavras como escolher, escolher... (por semelhança fonética), pelo que, se eu duvido, eu procuro um sinônimo.

Quando escrevo, me ditam ou leo números longas, as escrevo e leio com muita calma e atenção e retificada sempre ter investido os números.

Meus períodos de atenção são muito curtos, por isso que eu coloquei tempos de 15 minutos para concentrar-me totalmente.

Durante este tempo quito a Internet do meu computador e não tenho o meu telefone perto porque distratares são muito poderosos.

Passados esses 15 minutos eu verificar meu e-mail, ou me distraio por cerca de 5 minutos e voltar a começar, ou me obrigou a acabar de ler o trecho do livro que estou estudando para o próximo subtítulo.

Para mim, a esquerda e a direita é o mesmo, não há diferença, como norte-sul-Leste-Oeste e leste. Uso o relógio no pulso direito, assim, quando eu tenho que pensar, esquerda-direita, sinto que a mão eu tenho o relógio.

Para calcular distâncias penso em quadras (100 mts por bloco) para poder me dar alguma ideia.

POTENCIALIDADES

 

Para Luz Rello as estratégias de compensação desenvolvem outro tipo de habilidades que resultam em uma vantagem.

A maneira de pensar dos disléxicos não está necessariamente relacionada com as palavras e isso facilita expressar as coisas de forma mais clara e relacionar as idéias de maneira mais livre, desenvolvendo assim a capacidade de síntese e a criatividade. Para compensar suas dificuldades, Luz também aprendeu a ser mais organizada com os seus documentos.

 

Miguel Cortés também encontra muitas potencialidades. Ter uma compreensão conceitual permite pensar soluções que outros não identificados. "Eu tenho muita facilidade para aprender algumas coisas, como a tecnologia. Sem proponérmelo explicitamente aprendi o uso de diferentes sistemas operacionais para usar programas, a criação de páginas. Sou tecnólogo de escritório"

. Miguel aprendeu a cultivar a sua curiosidade e a retrase para continuar a se desenvolver no pessoal e profissional.

 

Para Mònica Gilabert, uma das grandes vantagens de ser disléxica é que não se entrega com facilidade: "eu sou criativo, autodidata e tentar de tudo; ponto, crochê, costura, scrapbooking, desenho, alvenaria, pintura de paredes, jardinagem, cozinha, pastelaria...".

 

A resiliência é para Maria Escandón a maior vantagem das pessoas disléxicas. "Aprendi que, apesar de me demorar mais tempo e tenha que fazê-lo de forma diferente os que me rodeiam, eu posso conseguir o que eu proponho e não me dou por vencida de forma fácil".

Além disso, a sua experiência é de ajuda no seu trabalho, você pode ajudar seus alunos a entender aos outros que têm dificuldades de aprendizagem.

 

Também Antonio Palácios reconhece o que lhe foi ensinado a dislexia. "Com a dislexia se aprende a ser constante, perseverante e incansável, um corredor de fundo.

Uma vez que você percebe que esta é a fórmula para aprovar os exames, se serve para tudo na vida e o trabalho é uma continuidade de tal". Desenvolveu também outras qualidades que você acha que estão relacionados com a dislexia: a capacidade de orientação, a tridimensionalidade e uma grande capacidade de análise para descobrir a personalidade das pessoas. Isso ajudou muito nas relações pessoais.

 "Há quem me disse que o disléxicos move-se como peixe na água em situações dinâmicas de mudança e acho que esta é a base da minha facilidade no diagnóstico sobre as pessoas".

 

PROBLEMAS DE AUTO-ESTIMA